Histórias escritas ou selecionadas por Bia Bedran

A Estória da Coca

               Conto Popular

Uma vez, um menino foi passear no mato e apanhou uma abóbora bem redonda que, naquele tempo, tinha o nome de coca.

Chegou em casa, deu a coca de presente para a avó, que preparou e comeu.

Depois, o menino sentiu fome e voltou para pedir a coca, cantando:

Minha avó me dê minha coca / Coca que o mato me deu... / Minha avó comeu minha coca / Coca, recoca, que o mato me deu.

Mas, a avó, que já tinha comida a coca, deu-lhe um prato de angu. O menino jogou o prato de angu na parede, com raiva, e saiu. Depois, se arrependeu, porque deu fome, e voltou para pedir o angu, cantando:

Parede, me dê meu angu /Angu que minha avó me deu/Minha avó comeu minha coca/Coca, recoca, que o mato me deu.

Mas, a parede, muito esperta, já havia comido todo o angu ... Não tinha outra coisa para lhe dar, deu-lhe um pedaço de sabão.

O menino botou o pedaço de sabão no bolso e saiu.

Lá adiante, encontrou uma lavadeira lavando roupa, sem sabão, e lhe disse: logo você, lavadeira, sem sabão, tome esse aqui ...

A lavadeira ficou muito contente, e aceitou o sabão. Mais tarde, o menino se arrependeu, porque sua roupa estava suja, e voltou pra pedir o sabão, cantando:

Lavadeira que me dê meu sabão /Sabão que a parede me deu /Pare de comer meu angu/Angu que minha avó me deu/Minha avó comeu minha coca,/Coca, recoca, que o mato me deu.

Mas, a lavadeira já tinha gasto todo o sabão do menino ... Não tinha outra coisa pra lhe dar, deu-lhe uma navalha.

O menino colocou a navalha no bolso e seguiu o seu caminho.

Lá na frente, encontrou um cesteiro fazendo cestos de cipó.Mas,ele não tinha navalha, e cortava o cipó com os dentes.

O menino foi, e deu a navalha pro cesteiro. Mais tarde, ele se arrependeu, porque sua barba estava crescendo, e voltou pra pedir a navalha, cantando:

Cesteiro, me dê minha navalha/Navalha que a lavadeira me deu/Lavadeira levou meu sabão etc ...

O cesteiro havia quebrado a navalha do menino.Não tinha outra coisa para lhe dar, deu-lhe em paga um cesto.

O menino foi andando e pensando: o que é que eu vou fazer com esse cesto?

Lá adiante, encontrou um padeiro, que fazia o pão fresquinho, e colocava o pão no chão ...

O menino deu o cesto para o padeiro. Logo depois se arrependeu ( ele sempre se arrependia de dar as coisas ), e voltou para pedir o cesto, cantando:

Padeiro, me dê meu cesto/Cesto que o cesteiro me deu/Cesteiro quebrou minha navalha/Navalha que a lavadeira me deu etc

Mas, o padeiro havia vendido o pão, junto com o cesto. Não tinha outra coisa pra lhe dar, deu-lhe um pão. Dessa vez, ele não estava com fome. Colocou o pãozinho no bolso, e seguiu o seu caminho. Lá adiante, encontrou uma moça pobre, morrendo de fome, sem nada para comer.Deu-lhe o pão. Logo depois, se arrependeu, e voltou, cantando sempre a mesma cantiga:

Moça me dê meu pão/Pão que o  padeiro me deu/Padeiro vendeu meu cesto/Cesto que o cesteiro me deu etc

Mas, a moça já tinha comido o pão.Não tinha outra coisa pra lhe dar, deu-lhe uma viola.

Ah, dessa vez, o menino gostou.Subiu com o violinha no galho mais alto de uma árvore, e pôs-se a cantar:

De uma coca fiz angu / De um angu fiz um sabão / De um sabão fiz uma navalha /De uma navalha fiz um cesto / De um cesto fiz um pão / De um pão fiz uma viola

Dingue,lindingue, que eu vou para Angola / Dingue, lindingue, que eu vou para Angola / Dingue, lindingue, que eu vou para Angola.

      
Se as Coisas Fossem Mães

                      Sylvia Orthof

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas;

O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.

 

Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos;

O mar seria um jardim, e os barcos seus caminhos.

 

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas

Conversaria com a lua sobre as crianças estrelas

Falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,

Emprestaria a cozinha, pra lua fazer pudins!

 

Se a terra fosse mãe, seria a mãe das sementes

Pois, mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

 

Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria;

Toda mãe é um pouco fada ... nossa mãe, fada seria.

 

Se uma bruxa fosse mãe, seria a mãe gozada;

Seria mãe das vassouras, da família vassourada.

 

Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida;

Faria chá e remédio, para as doenças da vida.

 

Se a mesa fosse mãe, as filhas sendo cadeiras,

Sentariam bem comportadas, teriam boas maneiras.

 

Cada mãe é diferente: verdadeira ou postiça;

Mãe avó e mãe titia, Maria, Filó, Francisca, Gertrudes,

Malvina, Alice, toda mãe é como eu disse.

 

Dona Mamãe ralha e beija,

Erra, acerta, arruma a mesa,

Cozinha, escreve, lembra e chora

Traz remédio e sobremesa

Tem até pai que é “tipo mãe”;

Esse ,então,é uma beleza!

 


A Galinha Ruiva

                Conto Popular

A Galinha Ruiva morava numa chácara com outros animaizinhos. Seus melhores amigos eram o porquinho, o ratinho e o patinho.

Nenhum deles, porém, era trabalhador como a Galinha Ruiva. Só gostavam de passear, de comer, rir e brincar.O mais preguiçoso dos três era o porquinho. O ratinho era o mais levado.O mais barulhento era o patinho...Às vezes, a Galinha Ruiva se zangava:

- É incrível! Vocês nada fazem de útil. Precisam de umas boas bicadas para tomarem vergonha.

Certa vez, ciscando aqui e ali, a galinha encontrou uns grãozinhos de trigo e pensou: vão germinar e teremos sempre comida

- Quem me ajuda a  plantar  os grãozinhos de trigo? Quem me ajuda a plantar os grãozinhos?

Os três responderam que não.

- Pois, então, eu planto sozinha.

Canto: Vou plantar, com muito prazer, esses grãozinhos na terra

Pouco tempo depois, os brotinhos surgiram da terra.A Galinha Ruiva perguntou aos seus amigos:

- Quem me ajuda a regar a terra?

Os três responderam que não.

- Pois, então, eu rego sozinha.

Canto: Vou regar, co muito prazer, os brotinhos da terra.

Um dia, ao regar os pés de trigo já crescidos, a Galinha Ruiva achou que já estavam maduros. Mais uma vez convidou seus amiguinhos:

- Quem me ajuda a colher o trigo?

Os três responderam que não.

Canto: Vou colher, com muito prazer, o que plantei na terra.

A galinha fez uma linda colheita. Deu trabalho, mas estava feliz.

Enquanto isso, o porquinho dormia, o patinho ciscava e o ratinho lia um livro.

Vendo as espigas amontoadas, a galinha perguntou:

- Quem me ajuda a debulhar o milho?

Os três responderam que não.

- Pois, debulho sozinha.

Canto: Vou debulhar, com muito prazer, o que eu colhi da terra.

Vendo os grãozinhos dourados, a galinha pensou: que boa farinha podem dar!E perguntou aos amigos:

- Quem quer moer o trigo comigo?

Os três responderam que não.

- Pois, vou moer sozinha.

Os grãozinhos moídos deram uma farinha branca e fininha. A galinha perguntou:

- Quem me ajuda a fazer o pão?

Os três responderam que não.

- Pois, faço sozinha.

E, dito e feito. A galinha fez a massa e, sozinha, enrolou-a.

Mas, quando tirou o pão do forno, seus amiguinhos vieram correndo.

- Quem me ajuda a comer este pão?

Os três amigos gritaram:

- Eu!

- Ah! Isso é que não! Vou comer o pão sozinha.


A Raposa e a Cegonha

                    Fábula de Esopo

Mas o mundo dá muitas voltas. E acaba voltando pro mesmo lugar. Quem na verdade é amigo não faz com os outros o que não quer que faça consigo.

Canto: Quem com ferro fere / Com ferro será ferido

             E quem com ferro fere / Com ferro será ferido.

Era uma vez uma raposa. E era uma vez uma cegonha. Elas eram muito amigas mas, um dia, a raposa resolveu convidar a cegonha para jantar.

Raposa - Olá cegonha! Vamos fazer uma jantinha lá em casa. Eu preparei uma super-sopa!

Cegonha - Muito obrigada, raposa. Irei, sim.

Raposa - Apareça às oito horas, lá em casa.

E foram embora.Às oito horas em ponto, a cegonha chegou na casa da raposa.

Raposa - Boa noite, cegonha!

Cegonha - Boa noite, raposa!

Raposa - Sente-se à mesa, por favor!

E, numa mesa muito bem arrumada, havia dois pratos muito rasos, com um pouquinho de sopa. A raposa na mesma hora ...

( Som da raposa lambendo o prato ) E a cegonha com o bicão no prato raso? Pic pic pic.Não conseguia pegar nada da sopa. Coitada, com uma fome! ...

Raposa - Está gosrtando do jantar, cegonha?

Cegonha - Estou, sim. Obrigada, raposa.!

Coitada! Estava com muita fome.Não conseguia tomar nada. Mas, aí, ela disse assim:

Cegonha - Muito obrigada pelo seu gentil convite, que eu quero retribuir.Apareça amanhã lá em casa, pra jantar comigo. Obrigada, viu?

E foi embora.

No dia seguinte chegou a raposa na casa da cegonha.

Cegonha - Boa noite, raposa!

Raposa - Boa noite, cegonha!

Cegonha - Sente-se à mesa, por favor.

Numa mesa, também muito bem arrumada, havia duas vasilhas compridas, com gargalo muito fino.E a cegonha, na mesma hora ...

( Som da cegonha tomando a sopa ) Slup. Igual a um canudinho, tomou a sopa toda.

( Gesto da raposa tentando tomar a sopa ) E a raposa no gargalo? Não conseguia pegar nada da sopa naquele gargalo fininho.

Cegonha - Está gostando do jantar, amiga raposa?

Com uma fome danada, a raposa não conseguia comer nada.Foi embora, muito sem graça, com o rabo entre as pernas. E a cegonha, ali quietinha ... Ficou pensando naquilo.

Canto: Quem com ferro fere / Com ferro será ferido

             E quem com ferro fere / Com ferro será ferido.


A Margarida Friorenta

                      Fernanda Lopes de Almeida

Canto: Era uma vez uma margarida que morava num jardim.

Quando ficou de noite, a margarida começou a tremer.

Aí, passou a borboleta azul. A borboleta parou de voar.

- Por que você está tremendo?

- Frio!

- Oh! É horrível ficar com frio! E logo numa noite tão escura!

A margarida deu uma espiada na noite. E se encolheu entre as flores. A borboleta teve uma idéia:

- Espere um pouco!

E voou para o quarto de Ana Maria.

- Psiu! Acorde!

- Ah! É você, borboleta? Como vai?

- Eu vou bem. Mas, a margarida vai mal.

- O que é que ela tem?

- Frio, coitada.

- Então, já sei o remédio.É trazer a margarida pro meu quarto.

- Vou trazer já!

A borboleta pediu ao moleque:

- Você leva esse vaso pro quarto da Ana Maria?

Moleque era muito inteligente. E levou o vaso muito bem. Ana Maria abriu a porta para eles e deu um biscoito ao moleque. A margarida ficou na mesa de cabeceira. Ana Maria se deitou. Mas, ouviu um barulhinho. Era o vaso balançando. A margarida estava tremendo.

- Que é isso? Frio? Ainda? Então, já sei! Vou arranjar um casaquinho para você.

Ana Maria tirou o casaquinho da boneca, porque a boneca não estava com frio. E vestiu o casaquinho na margarida.

- Agora você está bem. Durma e sonhe com os anjos.

Mas, quem sonhou com os anjos, foi Ana Maria. A margarida continuou a tremer. Ana Maria acordou com o barulhinho.

- Outra vez? Então, já sei. Vou arranjar uma casa para você.

E Ana Maria arranjou uma casa para a margarida .Mas, quando ia adormecendo, ouviu outro barulhinho. Era a margarida tremendo.

Então, Ana Maria descobriu tudo. Foi lá e deu um beijo na margarida. A margarida parou de tremer. E dormiram a noite toda. No dia seguinte, Ana Maria disse para a borboleta azul:

Canto: - Sabe, borboleta? O frio da margarida, não era frio de casaco, não!

E a borboleta respondeu:

- Ah, entendi!


Dormir Fora de Casa

                Ronaldo Simões Coelho

A menina ficou entusiasmada com o convite para passar o dia na casa da colega e dormir fora de casa pela primeira vez.

Preparou a bagagem: camisola, escova de dentes, brinquedos. A mãe tirou algumas coisas e colocou outras.

Bem feliz, carregando sua boneca preferida, a menina partiu. Que dia ela teve!

Brincaram de casinha, de escola, de macaco-me-disse.Pularam corda,viram desenho animado na televisão.Tomaram sorvete, tomaram banho.

A noite foi chegando ...

Dormir fora de casa não estava lhe parecendo, agora, tão bom como havia pensado.

Canto: Ai, mamãe, mamãe, vem me buscar

             Mamãe, mamãe, eu vou chorar de medo,

             De saudades; eu quero voltar

             E ao seu lado me enrolar.

             Já tá ficando tarde.

 

             Ai, mamãe, mamãe, vem me buscar

             Quero voltar pra minha casa,

             Minha cama, meus brinquedos.

             Ai, mamãe, mamãe, eu vou chorar

             De saudades e de medo.

Ela fez uma carinha boa e pediu:

- Posso telefonar pra mamãe?

Mamãe havia saído. O jeito era agüentar firme.

Ela se distraiu com os brinquedos. O sono chegou devagazinho.

Abraçou a boneca e cantou baixinho:

Canto: Pode dormir sossegada

            Nada vai acontecer

            Pode fechar os olhinhos

            Estou aqui com você.

De manhã, bem cedo, telefonou:

- Mamãe, vem me buscar!

O reencontro foi gostoso.Todas as duas tinham muita coisa pra contar.

No entanto, ficaram em silêncio, muito tempo, de mãos dadas.

Se olhando ...   


Macaquinho

             Ronaldo simões Coelho

Toda noite o macaquinho passava pra cama do pai e ficava se mexendo, e pulando, e dando chute. Não deixava o pai dormir.

Canto: Macaquinho, sai daí

             Você tem sua cama pra deitar

             Eu quero dormir

             Por que você não volta pra lá?

Macaquinho: Porque eu tô com frio.

O pai macaco cobriu o macaquinho com o lençol mas, depois de um tempo, lá tava o macaquinho de novo, na cama do pai.

Canto: Macaquinho, sai daí

            Você tem sua cama pra deitar

            Eu quero dormir

            Por que você não volta pra lá?

Macaquinho - Porque eu tô com fome.

O pai macaco deu mamadeira pro macaquinho, mas não adiantou. Depois de um tempo, já tava o macaquinho na cama do pai.

Canto: Macaquinho, sai daí

            Você tem sua cama pra deitar

            Eu quero dormir

            Por que você não volta pra lá?

Macaquinho - Tô com vontade de fazer xixi.

Cada dia o macaquinho dava uma desculpa: medo, berço apertado ... até que um dia, ele falou a verdade.

Macaquinho - Eu quero ficar na sua cama, porque fico com saudades de você.

Aí, o pai macaco entendeu. E começou a brincar com o macaquinho sempre que chegava do trabalho, ao invés de só ver televisão. O macaquinho ficou todo feliz e nunca mais passou pra cama do pai.

E nunca mais pai macaco precisou cantar:

Canto: Macaquinho, sai daí

            Você tem sua cama pra deitar

            Eu quero dormir

            Por que você não volta pra lá?

 


O Fazendeiro, Seu Filho e o Burro

                                  Fábula de Esopo

Uma vez, um velho fazendeiro quis vender seu burro no mercado.Então, ele disse assim pro seu filho:

- ( Imitando o fazendeiro ) Filho, bota a sua melhor roupa, que nós vamos lá no mercado vender nosso burro.

O menino ficou muito contente, botou a sua melhor roupinha e seguiram os dois puxando o burro pelo caminho...

Lá adiante, numa ponte, umas camponesas olharam e comentaram:

- ( Falando como a camponesa ) Olha lá! Que bobos! Completamente bobos! Os dois puxando o burro. Pelo menos um podia estar em cima do burro. Ah, que bobos!

- (Imitando o fazendeiro) Filho, eu não sou bobo e não quero passar por ... Vamos fazer o seguinte: sobe você no burro, que eu puxo.

E seguiram o caminho...

Lá adiante, havia um velho sentado em frente a um hotel. Fazendo nada. Olhando s vida dos outros. Vendo a cena, disse assim:

- ( Imitando o velho ) Veja bem. Isso aí é o exemplo de uma geração que não respeita os mais velhos. O menino, muito bem, refastelado em cima do burro, enquanto o velho caminha com suas pernas cansadas. Que absurdo!

- (Imitando o fazendeiro ) Filho, eu acho que esse velho tem razão. Vamos fazer o seguinte: você desce que agora eu subo.

E seguiram o seu caminho ...

E, lá adiante, umas lavadeiras, lavando roupa, disseram:

- ( Imitando a lavadeira ) Veja... Que velho danado ... Todo lá espalhadão em cima do burro e o garotinho, coitadinho, com as perninhas magrinhas ... Exploração do menor. Que absurdo!

- ( Imitando o fazendeiro ) Filho, que caminho difícil o nosso! Vamos fazer o seguinte: Vamos subir os dois em cima do burro. Pronto!

E seguiram o seu caminho ...

Mas, quase chegando na cidade, encontraram uns criadores de gado, que disseram assim:

- ( Imitando os criadores ) Pobre animal! Carregando carga dupla. O burro chega a estar assim ... ( imita o cansaço do burro ). Quem devia carregar esse animal nas costas eram eles.

Canto: Gente, olha o que aconteceu! E foi uma gargalhada só. Isso que dá.

            Quem quer agradar a todo mundo, acaba não agradando ninguém.


 A Estória de Tatê Calanque Cada Can Qui Xila Calanque

                                                               Pedro Menezes

Existia, numa cidadezinha bem distante, uma família que tinha dois filhos: um era batizado e o outro não.

Mas, naquela cidade, quem escolhia o nome de toda criança que nascia eram os anjos, que eram fáceis de serem encontrados num lugar que se chamava Estrada dos Anjos. Esse lugar era bem perto daquela cidade.

Quando foi um belo dia, a mãe do menino que não era batizado, chamou - e disse:

- Filho, você vai ser batizado no último domingo de junho; vai na Estrada dos Anjos e peça para os anjos lhe darem um nome. Mas, muito cuidado, porque ali, naquela estrada, fica um capetinha, que faz de tudo para trocar o nome que o anjo deu ...

- Fica tranqüila, mãezinha, que isso não vai acontecer.

E o menino foi.

Chegou até os anjos e falou que queria o seu nome para ser batizado. E o anjo deu. E o menino passou a se chamar Tatê Calanque Cada Can Qui Xila Calanque.

E repetiu: Tatê Calanque Cada Can Qui Xila Calanque. E o menino saiu, alegre, porque já tinha um nome.

E foi pela estrada repetindo o seu nome: Tatê Calanque Cada  Can Qui Xila Calanque.

Não demorou muito, o capetinha apareceu. E, no ouvido do menino, ele falou que o seu nome era Cara Chu Che Chu. E falou de novo, mais forte: Cara Chu Che Chu.

E o menino esqueceu seu nome verdadeiro, que era Tatê Calanque Cada Can Qui Xila Calanque.

E, então, passou  a falar o nome que o capeta lhe deu: Cara Chu Che Chu.

O anjo, que seguia o garoto, apareceu na frente do menino, e ele voltou a se lembrar do seu nome: Tatê Calanque Cada Can Qui Xila Calanque.

O capetinha ficou furioso. Deu um estouro, e sumiu numa nuvem de fumaça.

O menino saiu apressado e chegou correndo em casa. A mãe, que já o esperava, perguntou:

- Trouxe o seu nome, meu filho?

- Trouxe, mãezinha. É Tatê Calanque Can Qui Xila Calanque

- Muito bem, filho. Agora , vá à casa do seu padrinho e diga que você já tem um nome.

O garoto foi e encontrou o padrinho. Disse que já tinha um nome e que era Tatê Calenque Can Qui Xila Calenque.

O padrinho saiu e foi procurar o compositor da localidade, que era conhecido como o “compositor de três nomes” :

domingo 11 abril 2010 14:29 , em Histórias



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